Kurage, a água (muito) viva

[12 set 2014 | Pedro Mello e Souza | Sem comentários ]

Agua viva, na forma do kurage, delicadeza sob o manto do susto (Foto: Pedro Mello e Souza)

Kikurage é a leitura mais aceita de 海月, que significa, literalmente, “lua do mar”. O leitor pode tremer, mas não falamos aqui da temível e medonha criatura gelatinosa, de tentáculos mortíferos, pesadelo dos banhistas tropicais. Falamos, isso sim, da espécie que se torna uma iguaria nas cozinhas orientais para recondicionamento, quando é seca até o ponto de uma gelatina consistente. E, na hora do uso, recondicionada em levíssima fervura e uso em saladas ou sopas. No caso do Azumi, é cortado como uma massa do tipo cabelinho de anjo e colocada sobre um sushi com alga.

 

Delicadíssimo mas bem complexo. Agradável mas sem grandes sabores. A textura é tudo para o sucesso das águas vivas mp Sudeste Asiático. Hosking fala de duas espécies, o echizen kurage (Stomolophus nomurai), leitura de 越前水母, e no bizen kurage (Rhopilema esculenta), interpretação de 備前海月. A segunda é a mais comum. É a ela a que se refere Alan Davidson, que conta que os chineses a secam e cortam sua coroa inofensiva e transparente em discos para o uso em sopas e vinagretes. Ele mesmo nos dá o luxo dos sinônimos da região, do dikya dos filipinos ao hoi chik de Hong Kong. E do sua vietnamita ao ubor-ubor dos malaios.

 

 


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