Modo de usar: Giuseppe Grill

[3 ago 2015 | Pedro Mello e Souza | Sem comentários ]

Maminha, culto de poucos, esquecida por muitos, no Giuseppe Grill (Foto: Pedro Mello e Souza)

Minha formação no mundo das carnes será sempre incompleta. Os cortes e seus efeitos em fornos e grelhas sempre vão me devorar com seus enigmas, infinitos e insolúveis nas quantidades, nas fórmulas, nas qualidades e nas quantidades. Nesse ano, o  Giuseppe Grill completa nove anos e é um dos poucos pontos em que ainda encontro minha pasagem de volta para minhas mal passadas origens. Essa passagem chama-se maminha.

 

Era experiência dos tempos de Carreta, a de Ipanema, a antiga, a do matre Garrincha (por onde anda?), sem relação com a casa da Barra, uma preferida de jogadores de futebol e sua finíssima entourage. Eram idos de 1973, e a maminha reinava em todas as churrascarias. Eram tempos em que a picanha era uma novidade, o chorizo era o futuro e o prime rib, uma ficção. Enfim, era o modelo da carne nobre e jamais entendi porque entrou no ostracismo. E olha que ainda reinou por tempos, em um rudimento do rodízio, na Plataforma.


Rabada na panelinha (Foto: Pedro Mello e Souza)

Mas está lá, no Giuseppe Grill. Na realidade, a casa é mais longeva do que os nove anos que citei, pois o ponto do Leblon reproduz a casa original do Centro, com seus tijolinhos curtidos nas paredes, piso de cimento e madeira, que substituíram o antigo People. Para quem se lembra, em cima é o restaurante; embaixo, onde era a boate, está agora a adega, orgulho geral da casa – e particular do criador da casa e um dos proprietários, Marcello Torres.

 

Outro orgulho da casa é a coleção de peixes frescos, recém-arpoados, que são expostos com a mesma pompa das obras da parede, que vão de Rubens Gerchman a Ângelo de Aquino.


Batata frita suflê, do Giuseppe Grill (Foto: Pedro Mello e Souza)

Mas as estrelas do menu são as carnes, preparadas no grill e na churrasqueira. São mais de 20 tipos de cortes de carnes nacionais e importadas, entre eles o stracotto toscano, corte italiano de peito de boi, assado por oito horas na brasa, servido como aperitivo. Outra especialidade é a nossa maminha original – e, minha, seminal.

 

 

Prime rib e o código do ponto da carne, similar ao do Rubaiyat (Foto: Pedro Mello e Souza)

Mas ali também tem o seu prime rib, seu chorizo e sua picanha, muitas delas de cortes brasileiros, que chegam codificadas conforme o ponto, com a legenda em uma vaquinha, tal como já fazia do Rubaiyat, em São Paulo. Acompanhamentos como cogumelos em panelinhas Le Creuset, palmitos assados e sua manteiga, as batatas suflês e a crocância atentamente reposta.

 



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