Champanhes em prova 4: o abc dos participantes

[2 jan 2013 | Pedro Mello e Souza | Sem comentários ]

Em ordem alfabética, o descritivo dos champanhes que participaram da degustação às cegas, com preços na importadora para o consumidor, que Alexandre Lalas fez para a matéria “O champanhe desconhecido”, publicado em 22 de dezembro, no Caderno ELA, do Globo. Leia a matéria original e a íntegra dos textos aqui.

 

Os preços se referem à data da matéria, que foi ao ar em 22 de dezembro de 2012.

 

Detalhe dos copos numerados, em que os champanhes foram servidos durante a degustação.

 

Ayala Brut Majeur

Propriedade da holding Société Jacques Bollinger (SJB) desde 2005, a Ayala entrou em declínio no final dos anos 1990. No entanto, a administração de Hervé Augustin, indicado pelos novos donos, fez com que a casa conseguisse recuperar terreno. É um champanhe macio, com um leve toque cítrico. (Mistral, R$ 263)

 

Barons de Rothschild

Três ramos da aristocrática família Rothschild se juntaram para criar estra casa de champanhe. O estilo buscado pelos donos dos châteaux Lafite, Mouton e Clarke, como não poderia ser diferente, é de uma bebida elegante, sofisticada, clássica. Apesar da qualidade indiscutível, ainda há um longo caminho a percorrer para que este champanhe chegue perto do nível dos tintos dessa turma. (Vinci, R$ 357)

 

Barnaut Grand Réserve Brut Grand Cru

Esta casa fundada em 1874 trabalha apenas com uvas próprias. Costuma colecionar elogios da crítica especializada europeia graças à elegância e à leveza dos champanhes que entrega ao mercado. (Decanter/Espírito do Vinho, R$ 207)

 

Billecart-Salmon Brut Réserve

Tradicional casa de champanhe, famosa pela qualidade excepcional dos rosés que faz, costuma entregar vinhos marcados pela elegância e pelo equilíbrio. Nesta versão, destaque para um caráter mais frutado, com leveza e cremosidade. (World Wine, R$ 239)

 

Bollinger Special Cuvée Brut

Champanhe preferida de James Bond, esta é uma das casas de produção mais consistente nos últimos tempos. O estilo é sério, com um leve toque de oxidação, mas sem perder a leveza e o frescor. (Mistral, R$ 349)

 

Bruno Paillard Première Cuvée Brut

Casa emergente, com prestígio ascendente e produção consistente. Já neste vinho, de entrada de gama, fica claro o estilo pretendido pela Bruno Paillard. Este é um champanhe para a mesa, com presença cremoso, macio e com presença bem marcada da madeira. (Club du Taste Vin, R$ 214)

 

Cattier Brut Quartz

A família produz uvas desde o século XVIII, mas apenas em 1918 começaram a produzir o próprio champanhe. O estilo é mais comercial, com foco na leveza, boa presença de fruta e uma maciez agradável. (Interfood, R$ 192)

 

De Sousa Brut Merveille

Erick de Sousa, de ascendência portuguesa, comanda esta casa, adepta da agricultura biodinâmica, de pequena produção com foco na qualidade. De prestígio crescente, é um champanhe maduro, para a mesa, com toque de brioche e manteiga, muita cremosidade e maciez. (Decanter, R$ 280)

 

Delamotte Brut

Fundada em 1760, esta casa, hoje parte do grupo Laurent-Perrier, é uma das mais antigas da região. Entrada de gama da casa, este é um champanhe de celebração: leve, fresco, cheio de fruta, para ser bebido sem compromisso, como aperitivo. (Bergut, R$ 190)

 

Deutz Brut Classique

Um dos grandes orgulhos de Fabrice Rosset, presidente da Maison Deutz é a qualidade do seu champanhe básico, não safrado. Segundo ele, fazer um vintage ou cuvée especial de alto nível não é difícil em Champanhe. Basta seguir algumas regras básicas de produção. Já um não safrado, de entrada de linha, com qualidade de primeira, este é o grande desafio. Está certíssimo. E está certo também em sentir orgulho do Brut Classic Non Vintage que produz. No nariz, fruta. Na boca, leveza, cremosidade, bom volume, frescor e mais fruta. (Casa Flora, R$ 177)

 

Drappier Carte d’Or Brut

Casa tradicional, familiar, colecionou prêmios e admiradores ao longo da história. Um dos mais famosos foi Charles de Gaulle, que elegeu como champanhe favorito a Drappier. Em troca, a casa homenageou o general com um cuvée especial. Neste vinho de entrada de gama, feito majoritariamente com a pinot noir, é outro vinho que se destaca pela fruta, pelo frescor e pela delicadeza. (Zahil, R$ 225)

 

Gosset Excellence Brut

Esta é a mais velha casa de Champanhe. Em 1584, quando Pierre Gosset começou a fazer vinhos na pequena propriedade que possuía em Aÿ, o Brasil ainda nem engatinhava. Hoje propriedade do grupo Renaud-Cointreau, a Gosset teve a produção aumentada, mas o prestígio da casa segue alto. O estilo é mais austero, rico no nariz, complexo na boca, combinando fruta e madeira, elegância e potência. Este é, seguramente, um champanhe para a mesa. (Grand Cru, R$ 198)

 

Heidsieck & Co Monopole Blue Top Brut

Ludwig Florenz-Heidsieck criou, em 1785, junto com três sobrinhos, a Heidsieck. Com o tempo, a casa foi dividida em três: Heidsieck & Co (1834), Charles Heidsieck (1851) e Piper-Heidsieck (1934). Hoje propriedade do grupo Vranken Pommery, a Heidsieck & Co acrescentou o “Monopole” ao nome em 1923. O estilo é leve e fresco, com foco na fruta. Um champanhe de festa, funciona como aperitivo. (Bergut, R$ 188)

 

Henriot Brut Souverain

Esta é uma pequena casa da região, com produção artesanal, como foco mais voltado para a qualidade do que à produção. Este brut não safrado é dos melhores disponíveis no mercado brasileiro. É delicado e fino, com uma riqueza ímpar, boa presença de frutas como maçã, pêssego e abacaxi; macio, cremoso e extraordinariamente longo. Com enorme justiça, foi o vice-campeão da prova. (Vinci, R$ 293)

 

Joseph-Perrier Cuvée Royale Brut

Desde este vinho, entrada de gama da casa, até os champanhes safrados, como o fabuloso Cuvée Josephine, esta vinícola coleciona prêmios e vitórias em degustações às cegas. Mesmo assim, não é das casas mais conhecidas pelo consumidor brasileiro. Talvez culpa do marketing pouco agressivo. Talvez por não ser tão fácil de achar. Mas o fato é que a qualidade do que a Joseph-Perrier faz é muito acima da média. Este brut não safrado, vencedor disparado da prova, é grande. Fino, delicado, com boa presença de fruta(maçã, pêssego), combina com maestria um delicioso frescor com um volume notável na boca. Macia e cremosa, versátil, servindo tanto como um aperitivo como acompanhando uma refeição especial. Um champanhe de respeito. (Paralelo 35, R$ 180)

 

Lanson Black Label Brut

Casa com 250 anos de história e muitos serviços prestados, o champanhe da Cruz de Malta chegou apenas há pouco tempo ao mercado brasileiro. Mas, pelo menos, chegou. Este black label, muito além do rótulo cheio de estilo, é um belo vinho. É leve e fino, com boa presença de fruta e um leve toque tostado. Bom para servir como aperitivo como companheiro de uma refeição leve. (Barrinhas, R$ 170)

 

Louis Roederer Brut Premier

A Maison Louis Roederer – que entre outras marcas produz o champanhe Cristal – fechou o ano passado com a impressionante marca de 3,7 milhões de garrafas de champanhe vendidas em todo o mundo. Um recorde para a empresa, que passou ao largo da crise que implodiu a economia de diversos países europeus. Mas talvez o que mais impressione seja como esta casa consegue fazer tanto vinho sem perder a qualidade. E este Brut Premier, entrada de gama da vinícola, é prova inequívoca disso. Maduro, complexo, longo, intenso. Um champanhe para a mesa. (Franco-Suissa, R$ 240)

 

Moët & Chandon Brut Imperial

Tradicional casa, fundada em 1743, hoje parte do grupo LVMH, a Moët é quase sinônimo de champanhe. Uma distinção que, noves fora o marketing agressivo da companhia, não pode ser desprezada. E, apesar de o foco ser claramente a produção, a qualidade da bebida, o que está dentro da garrafa, está longe de ser ruim. E a boa posição conseguida na prova por este Brut Imperial é a prova cabal disso. O estilo é o que se espera de um champanhe: fresco, fino, delicado, frutado, leve. Uma bebida que traduz alegria e é sinônimo de celebração. (LVMH, R$ 200)

 

Nicolas Feuillatte Brut Réserve

Mais antiga cooperativa de Champanhe, reúne 82 produtores da região. Mais uma vez, o foco é a produção. E o estilo desejado é o clássico de champanhe: uma bebida de celebração. E esta é exatamente a característica deste Brut Réserve. Leve, fresco, com boa presença de fruta. Sirva como aperitivo, sem moderação. (Ravin, R$ 238)

 

Perrier-Jouët Grand Brut

Marca pertencente ao grupo Pernod-Ricard, conhecida pela beleza dos rótulos e pela qualidade do champanhe que produz. Esta Grand Brut é delicada e elegante, madura, austera. Boa companheira para a mesa.

 

Pierre Moncuit Blanc des Blancs Grand Cru

Os 25 hectares de vinhas desta casa – todos plantados com chardonnay – estão situados em Mesnil-sur-Oger, um dos mais valorizados crus de Champanhe. A casa, fundada em 1889, tem é vizinha de casas como Salon e Krug. A direção hoje está a cargo de Nicole Moncuit. Este Blanc des Blancs é elegante até a última gota. Se não tem o brilho e o frescor de outros rótulos, compensa com um notável equilíbrio e uma riqueza impressionante. Um champanhe para descobrir aos poucos, gole a gole. De preferência, acompanhando um jantar especial. (Bergut, R$ 215)

 

Pol Roger Brut

O Cuvée Winston Churchill é um dos champanhes mais festejados do planeta. Mas não apenas o top de linha desta casa cheia de prestígio é digno de aplausos. Este Brut é um exemplo claro disso. É rico e elegante, fino, cremoso, macio, longo. Não tem o estilo fácil de celebração de outros rótulos, mas é um champanhe sério, para prestar atenção, e beber a mesa. (Mistral, R$ 297)

 

Taittinger Brut Réserve

Casa familiar, tradicional e cultuada, goza de enorme prestígio entre o grande público em geral. E o reconhecimento é pra lá de merecido, como atesta a terceira colocação na prova às cegas. E, no entanto, o estilo desta Brut foge do clássico champanhe. É potente, marcante, vibrante, com estilo mais maduro. Neste ano, a casa perdeu Jean Taittinger, presidente honorário da empresa, que morreu no último dia 23 de setembro, aos 89 anos. Jean era pai de Pierre-Emmanuel, atual CEO da Taittinger. (Cavist, R$)

 

Veuve Clicquot Brut Ponsardin

Um dos rótulos mais famosos (e bonitos) do mundo do vinho, a viúva, como é carinhosamente chamada, é contestada pelos especialistas na mesma medida em que amada pelo público. O charme da garrafa, chique até dizer chega, é garantia de impressionar em festas, casamentos, recepções e afins. E, críticas negativas a parte, o que está dentro da garrafa está longe, muito longe de incomodar ou fazer feio. Este é um champanhe de festa, leve e fresco. Para os padrões da bebida é até simples. Mas nem por isso menos agradável. (Cavist, R$)

 

 

 


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