Louis XIII

[28 set 2014 | Pedro Mello e Souza | Um comentário ]

Louis XIII:

no conhaque dos reis, o rei no conhaque

Matéria publicada no Caderno ELA, de O Globo

 

Os especialistas sempre discutirão o ranking dos melhores conhaques do mundo. Mas há consenso em torno do mais nobre: o Louis XIII, da Rémy Martin. São dois séculos de profundidade de cor, de vigor de aroma e de intensidade nas histórias. A mais importante delas está no rótulo, com a dupla homenagem da Rémi-Martin, a marca por trás da bebida, ao rei Luís XIII da França, que foi o primeiro a demarcar as regiões de Cognac. E foi o próprio rei um dos protagonistas de uma batalha religiosa, em Jarnac, contra o príncipe de Comté. Dos restos dessa disputa, os cantis em metal trabalhado, que inspiram a belíssima garrafa do Louis XIII.


Louis XIII: até a garrafa vazia vale uma fortuna. Quem toma a última dose, leva.

“Preferimos chamar de decanter” – diz a embaixadora da marca no Brasil, Jessia Lobo. “É um frasco produzido com o mais nobre cristal de baccarat, que a maison Rémi Martin sempre mantinha para serviços à nobreza, à diplomacia, e que traz um valor extra ao conhaque”, explica. E traz mesmo. Até a garrafa vazia tem lances que passam dos mil reais nos sites de leilões pela internet. Cheia, novinha, pode ser encontrada em lojas como a Garrafeiro e a Porto di Vino por preços entre 13 mil e 15 mil reais.

 

Quem se espanta com o preço, dois argumentos. O primeiro deles: Ao ser engarrafada, a bebida é o resultado da combinação de mais de 800 conhaques diferentes, maturados por temporadas entre 40 e 100 anos e desenvolvidos na sede e envelhecidos em barris de carvalho do Limousin. O segundo argumento é mais pragmático: em certos restaurantes cariocas, como o Fasano al Mare e o Antiquarius, a exclusividade pode ser encontrada por mais de mil reais. Por dose. E muitos ficam de olho na última dose de cada decanter, pois quem toma a última dose leva a garrafa.

 

As notas de degustação acusam mais de 20 aromas, do buquê ao retrogosto, e dão consta de uma persistência em boca de até uma hora. Abre com frutas cozidas como as compotas de ameixa e evolui para caramelos e tabacos. É tudo o que Winston Churchill experimentou, no brinde que fez com Louis XIII no fim da Segunda Guerra. E foi tudo o que impressionou o paladar de uma então jovem Rainha Elisabete II da Inglaterra, em seu primeiro banquete oficial em solo francês, em idos dos anos 60.

 

Detalhe do decantador: réplica dos antigos cantis da época de Luis XIII (Foto: Pedro Mello e Souza)

“Todo esse conteúdo histórico faz parte de um espírito de self indulgence, com uma bebida nobre na origem e no preparo”, diz Jessia, sobre o trabalho de reposicionamento que a Rémi Martin vem fazendo no Rio, através da importadora Casa Flora, de olho no bom gosto do brasileiro. O reflexo está no paladar da bebida, mantido sempre pór métodos que lembram aqueles dos vinhos de Jerez, em que, em cada ano, os mesmos produtos são engarrafados. O que fica no barril é completado por combinações que mantêm, com mínimas alterações, os sabores e os aromas do Louis XIII. E, não por coincidência, os vinhos de Jerez usam barris de conhaque.

 

Para quem quer investir, ainda dá tempo para um preciosidade. Há dois anos, o Louis XIII foi lançado em uma edição de colecionador, não nesse normal de 750 mililitros, mas um colosso de 3 litros – ou quatro vezes o original. E com um detalhe: dessa vez, por se tratar de uma série restrita, o cristal baccarat foi substituído pelo de Sèvres, ainda mais nobre. Preço sugerido para lançamento nas lojas européias: 22 mil euros. Com a palavra, os leilões.

 

Remi Martin Louis XIII: o luxo do conhaque no Caderno ELA, de O Globo (Foto: Pedro Mello e Souza)

 


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Depoimentos

  1. Eliana Beatriz de Almeida disse:

    Eu tenho uma garrafa desta vazia. perfeita. Vendo por R$ 3.500,00.