Há quem diga que os “comedores de lótus”, de Homero, eram, na realidade, comedores de caqui. Para nós, que sempre associamos a origem da fruta à delicadeza dos jardins imperiais japonees, a distância para a Grécia Antiga é longa tanto no tempo quanto no espaço. Por aqui, chegou em fins do século 19, antes como [ Leia mais… ]
Amburana é a mais badalada das madeiras nacionais para envelhecimentos de cachaça e vem chamando a atenção para uma maturação diferente daquela que convivemos, a de carvalho. Transmite outro tipo de nota e, pela natureza das aguardentes, participa de um processo de maturação mais complicado, pelos altos níveis de álcool envolvidos originalmente. No caso [ Leia mais… ]
Essa história é ótima, contei em uma das minha colunas de maio, no caderno Rio Show, do Globo: um dia, uma respeitável destilaria escocesa teve a ideia de envelhecer uma partida de seu uísque em barris onde já teriam maturado cervejas. O normal seriam os barris simples ou de conhaque, mas o objetivo era [ Leia mais… ]
Ele foi o primeiríssimo colocado na edição desse ano do Concurso Nacional de Cervejas graças a experiências de campo, de mesas, de cervejarias, de mão na massa e, agora, de palestras e degustações dirigidas. Ele é Gil Lebre Abbade Franco, de Niterói, um dos meus consultores na coluna Letras Garrafais, em O Globo. E as [ Leia mais… ]
É um vinho que, de tão encantador, é romântico até no nome. Foi criado em 1985 pelo Conde Giuseppe, proprietário da vinícola, por ocasião de suas bodas de ouro (ou, em italiano, nozze d’oro). É dedicado à sua esposa Franca “com amor imenso”. Obteve 89 pontos na Wine Spectator e 90 pontos no Robert Parker. [ Leia mais… ]
Arrepiado Velho seria um daqueles nomes divertidíssimos de blocos cariocas. Isso, se já não fosse uma das mais celebradas vinícolas do Alentejo moderno. Não são de lá, mas chegaram após as dicas de David Booth sobre a área de Sousel, na sub-região de Portalegre. Os rieslings dão um show de frescor (em Portugal, eles dizem [ Leia mais… ]
VINHOS O NOVO PECADO DA CARNE Como diferentes uvas transformam e dão nova grandeza a seu churrasco Pedro Mello e Souza O outono é uma temporada emblemática para os vinhos. Mais do que isso, é um ícone. E não somente porque é a época das colheitas no hemisfério norte, mas também porque [ Leia mais… ]
Este é um dos momentos históricos do Vinho Verde. É quando a velha mística da região deixa aquela sua humildade condescendente para reconhecer-se no alto de sua competência profissional, com brilho especialmente jovem no velho parlamento dos grandes vinhos europeus. E não há porque ser diferente. Matéria, há de sobra: há sol e solo, [ Leia mais… ]
O fim do verão na Europa traz as excitações e expectativas de duas colheitas para o mundo do vinho. A primeira, claro, a dos vinhedos. A segunda também envolve uvas, mas o terroir é o das livrarias. É nessa época que, quase simultâneos, surgem os dois guias mais vendidos do momento, saindo no mesmo dia, [ Leia mais… ]
Seco mas refrescante, elegante mas intenso, aromático de rosas e cerejas, coerentes com a bela cor que lembra um chá de cascas de cebolas. Esse é o Gallardía del Itata, um dos campeões do Annual Wines of Chile Awards, na categoria “rosé”. O teor médio de álcool (13,5°) contribui com o paladar do vinho, um [ Leia mais… ]
Coluna de estréia de LETRAS GARRAFAIS, no caderno Rio Show, de O Globo, que reproduzo aqui a pedidos, para os amigos e leitores de outras cidades, especialmente as do Sul e de São Paulo. ATENÇÃO PARA OS PREÇOS, que são os da época da publicação da coluna. “Ah, mas esse negócio de degustação é [ Leia mais… ]
Às vezes, o motivo da comemoração está na mesma mão do brinde e ninguém percebe. No caso da Barnaut, um champanhe leve mas com estrutura, próprio para celebrações, comemos mosca. No ano passado, eles comemoraram 140 anos de existência. Para saber um pouco mais desse rótulo, fui ao único dos compêndios que deu alguma bola [ Leia mais… ]
Matéria publicada na edição de 27 de dezembro de 2014 no Caderno ELA, de O Globo “O marsala é um vinho que enriquece nossa mente, nosso corpo, nossa alma, exalando consistência e equilíbrio, com seus tons e suas notas que nos envolvem como em um abraço quente”. Essa pensata não é de nenhum sommelier, [ Leia mais… ]
Vinho do dia, vinho de qualquer dia: Gravner Anfora. Sim, sem acento circunflexo. E, sim, feito em ânforas, à antiga, natural, com uvas ribolla – ou rebula, em solo de terras que o realismo e o imagineário não vêm mais a diferença entre o que são terras italianas ou eslovenas. É lá que Josko Gravner [ Leia mais… ]
Já não tenho paciência para a pensata sobre um vinho que é bom para os cariocas porque é perfeito para a beira da piscina. Como assim? Não há tantas piscinas assim que difundam um gosto por uma bebida específica para as suas margens, fora cervejas baratas, mergulhadas naqueles abomináveis geleiros da Budweiser. Ou uma caipirinha. [ Leia mais… ]
Fica um pouco dificil pesquisar expressões sobre vinhos quando o próprio dicionário da Academia Francesa os ignora oficialmente nos seus verbetes. O Larousse ainda os registra, mas sem a profundidade que merece uma chenin blanc, descrita apenas como uma cepa do Loire que dá origem aos vinhos de Vouvray. Não se lembram nem de dizer [ Leia mais… ]
Esse é o tipo de post que deveria entrar ou na época do Halloween. Ou dias antes do 14 de julho, data que a França ainda festeja, aom alegria inocente e desinformada, um dos maiores tropeços de sua história: a Révolution, que deu errado – não só a monarquia voltou como instaurou-se um império -, [ Leia mais… ]
Em meio às veneráveis cervejas de abadia que dominam o imaginário cervejeiro, é coisa rara pensar em uma cerveja belga fresca. Mais ainda em estilo witbier, a cerveja de trigo que faz a alegria do sul da Alemanha. Mas a Vedett é uma delas. Tem o frescor do seu estilo e nucances de aromas cítricos. [ Leia mais… ]
Não me pareceu claro o que querem dizer com o tal “casamento perfeito”, do rótulo Mariage Parfait. Pode ser pela percepção de que os três anos de envelhecimento dessa cerveja gueuze, da cidade de Lembeek, sirva como um “timing” perfeito para um noivado. Mas pode ser também a relação entre os tipos de cervejas que [ Leia mais… ]
Elegância e equilíbrio. Tem um nariz quente, suave no frutão vermelho, uma boca intensa mas aveludada, como convém a um barolo nobre, com sua relação de vizinhança com o pinot noir. Pintam terras, trufas e outras delicadezas que as vinhas de 55 anos nos retornam do terreno rústico, fechado, pedregoso, de pouca areia. Talvez venha [ Leia mais… ]
Quando alguém te disser que um espumante pode nos deixar alto, pode ser que ele esteja levando a expressão ao pé da letra. Em altitudes como os mil metros de altitude, por exemplo, no momento em que se degusta um copo de Benoit Daridan, um “méthode traditionnelle” do vinhedo que sobrevávamos naquele momento, de balão, [ Leia mais… ]
Louis XIII: no conhaque dos reis, o rei no conhaque Matéria publicada no Caderno ELA, de O Globo Os especialistas sempre discutirão o ranking dos melhores conhaques do mundo. Mas há consenso em torno do mais nobre: o Louis XIII, da Rémy Martin. São dois séculos de profundidade de cor, de vigor de aroma [ Leia mais… ]
Seco mas cheio, quente e refrescante, tudo ao mesmo tempo, com direito às frutinhas do syrah e uma cor fechada, que traduziria mais um clarete do que o rosé que pretende ser. É como o querubim do rótulo: gordinho, doidão, caliente e cheio de graça. Montes Cherub Rosé de Syrah da seleção de Cecília Aldaz, [ Leia mais… ]
Qual o resultado da união de dois terroirs diferentes? Complicado, sobretudo pelo desafio a uma lei: uva não deve viajar – quem planta e engarrafa na própria vinícola, se gaba disso e deixa claro no rótulo. Mas vejamos o que tivemos para o dia: um vinho longo e cheio, mas refrescante, estruturado, com uma textura [ Leia mais… ]
É assim mesmo, com jota, mas a pronúncia é mesmo Rossi, como em Gaja, Angelo Gaja, essa figuraça, que a gente acha que vem apresentar os vinhos, mas quer mesmo é bater um belo papo com o copo na mão. Nessa conversa, faz um palestrão sobre a região, as tradições da área do Langhe, dos [ Leia mais… ]
Quem me apresentou foi o Tom Lima, gerentão do Delirium Café. E acompanhou bem o hambúrguer da casa. Essa aí é uma joint venture entre a belga St. Feuillen e a californiana Green Flash, uma, cada vez mais venerável e, de todas as santas da região de Wallon, é a que mais se moderniza; a [ Leia mais… ]
Alegre, brilhante, esfuziante (justifico o entusiasmo mais abaixo). Esse é o resultado do uso da ancellotta, uma uva que os italianos trouxeram no início do século 19 e, lá, usam para fazer o lambrusco. Mas o espumante de lá torna-se o tinto daqui, um dos varietais da Dal Pizzol. Bela qualidade, com uma cor linda [ Leia mais… ]
Nerello mascalese e nerello cappuccio são uvas da aventura extrema de um vinhedo e da ousadia máxima de um produtor. Os vinhedos dessa casta serão os primeiros atingidos pelas próximas lavas do Etna. Sim, a leitura é correta – não são levas, são lavas mesmo, as quentes, as que tingem a terra de um negro [ Leia mais… ]
Argiolas não é mais um ícone da Sardenha. Mas de toda a Itália. Nos brancos, com o fresco e mineral vermentino como nos tintos, com essa uva pouco badalada, arqueológica, rara e, por tudo isso entrando da moda dos fashionistas dos vinhos. É denso, de consistência frime mas não agressiva. E com um toque seco, [ Leia mais… ]
Provado às cegas, sem olhar o rótulo, não resta dúvidas: é um Borgonha finíssimo, um Meursault, talvez. Certo? Errado. Trata-se de um chardonnay da região de Flores da Cunha, na Serra Gaúcha. Que me apresentou foi o gourmet Paco Torras, titular do melhor e mais bem escrito blog do hemisfério, o Bistrô Carioca, em [ Leia mais… ]



