E já que todo o mundo do esporte lembrou-se dos 40 anos da partida de Gilles Villeneuve, fica a homentagem literária que ninguém na casa de Maranello imaginou. Mas aí vai: quem já andou pelas livrarias procurando referências práticas sobre vinhos já deve ter parado os olhos em um livrão tão grande e pesado que até inibe a compra: o Sotheby’s Wine Encyclopedia, obra do crítico inglês Tom Stevenson. Livraço, é um compêndio monumental pelo tamanho e fundamental pelo nível de pesquisa e informações, especialmente na área que realmente emociona o autor: os champanhes.
E essas pesquisas levaram Stevenson a fuçar documentos seculares, raríssimos, em cofres de museus, bibliotecas de colecionadores ou o acervo de grandes leiloeiros, a Sotheby’s inclusive. O crítico reuniu dois e publicou um livro, ano passado, que abalou o mundo dos vinhos com uma pergunta que estarreceu os que conhecem a história dos champanhes: “Teriam os italianos inventado o vinho espumante?”. A questão é o título do livro, que traz uma revelação ainda mais dura para os franceses. Não somente os italianos, mas também os ingleses, já produziam vinhos meio século antes da primeira rolha saltar na adegas de Champagne.
Um pouco de erudição que explica a bebida: o documento italiano é de 1622, o De Salubri Potu Dissetatius, em que o autor, o monge Francesco Scacchi, descreve todo o processo de produção de um espumante, seus sabores, suas qualidades e, ainda pior, as origens daquele vinho nos fins da Idade Média. E foi divulgado décadas antes da sociedade inglesa divulgar o surgimento do “sparkling wine”. Não por coincidência, o documento italiano foi arrematado em leilão acirrado. Quem levou, por 14 mil libras, foi a família Lunelli, dona daquele que é o mais celebrado espumante do momento, fora da área dos champanhes: a Cantina Ferrari.
E são exatamente essas técnicas antigas e tratamentos demorados e cuidadosos que dão a raça dos espumentes da Ferrari, à base de chardonnay e pinot noir nas altitudes do Trento, região pré-alpina do norte da Itália. A importadora Decanter traz a linha ao Brasil. Nome maior da casa, o Giulio Ferrari Riserva del Fondatore, sai por quase 700 reais. Preço salgado, claro, proibitivo para quem quer apenas se refrescar. Mas custa menos do que alguns que já bateu em degustações às cegas, como Krug e Bollinger. Mas o Ferrari Perlé, brut, seco, intenso, com raça para acompanhar uma refeição completa, volta e meia está em promoção no site da importadora.




