All my Stout

[1 ago 2025 | Pedro Mello e Souza | Sem comentários ]

Evil Twin I Love You With My Stout (Foto Pedro Mello e Souza)

Seção “Cereais Matinais” de um autêntico “Hero Breakfat”. Às vezes, quando nos vemos sem um espresso digno, perfumado e elegante para um desjejum matinal, temos de apelar para algo de aroma e categoria compatíveis para quem é obrigado a se levantar da cama às onze e meia da madrugada.

 

Um belo dia desses, o paladar de cafés e achocolatados nos levou ao rótulo I Love You With My Stout, um dos expoentes modernos do estilo “imperial stout”, de maltes achocolatados por tosta forte mas lenta. Se falamos em cereais, temos mais do que cevada nesta alquimia que a Evil Twin produz no Brooklyn, em Nova York.

 

É o centeio, o “oatmeal” dos cervejeiros, que dá peso e texturas firmes a este lado achocolado e, se falamos na mesa do café, tem o manto escuro como o de um espresso. Mas o lado matinal fica por aí: o rótulo é alcoólico como prevê o estilo, com uma pancada de 9,6% de graduação alcoólica.

 

Assim, densidade e álcool, bem equilibrados e integrados, estariam melhor na mesa do jantar, acompanhando um bom steak, com a cerveja fazendo o papel do próprio molho. Um picadinho seria outra indicação, especialmente se, no preparo, ganhar um lance da própria cerveja.

 

Há quem afirme que o estilo foi criado para os czares russos, o que explicaria o nome “imperial”, muito embora o Reino Unido fosse mais império do que qualquer domínio eslavo. Mas podemos sugerir que a denominação esteja ligada às tributações da época em que o estilo se estabeleceu, ou ainda à implantação, em 1825, do novo sistema de medidas, ditas “Imperial measures”.

 

Coincidência?

 

Sim, várias coincidências, todas deliciosas ligações diretas da mesa com o correr da história, dignas de serem discutidas em torno desta cerveja inglesa por excelência: escura, encorpada, amarga, aromática, intensa e de um retrogosto levemente doce e defumado, gerado por medidas mais altas de lúpulo e fermentação de cevada previamente torrada, rica, portanto, em caramelos e carvões, além dos já citados cafés e chocolates.

 

É produzida desde meados do século XVII e seus registros mais antigos, hoje no acervo do British Museum, datam de 1677, sob os dizeres: “We will drink to your health both in stout and best wine”. Na poesia de Johnattan Swift, de 1710, a bebida ganha conotação de um aconchegante consolo àquele que é privado da presença de sua musa:

 

« Should but his Muse descending drop

A slice of bread and mutton-chop;

Or kindly, when his credit’s out,

Surprise him with a pint of stout ».