Pietra e Colomba

[9 jan 2013 | Pedro Mello e Souza | Sem comentários ]

Colomba e Pietra: sabores da Córsega por uma Europa mais tranqüila (FOTO Pedro Mello e Souza)

 

Dessa vez, a vitrine da Dr. Beer, alegremente caótica e desordenadamente atraente, fez algum sentido. Colocou juntas duas cervejas de mesma origem: a Córsega. Diferentes no rótulo, na proposta e nos ingredientes, mas unidas no produtor, a Brasserie Pietra, de Furiani, ao lado de Bastia, costa norte da ilha natal de Napoleão, aquele carniceiro da costa sul.

 

Se ele tivesse experimentado as cervejas, o mundo seria diferente, a Europa mais feliz e o Constantia menos famoso.

 

Mas vamos à dupla: uma, a Pietra Ambrée, com farinha de castanha acrescentada ao malte em fermentação; outra, a Colomba, branca, viva, de trigo e cevada e condimentada com ervas do maquis, um espelho da nossa caatinga, mas com arbustos eriçados e espetados no solo acidentado e rochoso, quando não é coberto por densas florestas. A área não se chama Haute Corse à toa. Como eu sei de tudo isso? Eu leio Asterix, ó ignaro.

 

As notas com pitacos irresponsáveis – eu bebo tudo. Por respeito, bien sûr. E por medo de passar meus últimos dias em Santa Helena.

 


 

PIETRA AMBRÉE

6%, garrafa de 330ml

Preparada com farinha de castanha. Ou, no original em dialeto corso, “biera accumudàta cu à castagna”.

Aroma terroso, manto turvo e de cor caramelada, bem mais escura do que o âmbar que o rótulo sugere. É uma cerveja de bom corpo, amargor sem travos, de toque frutado é de tâmara seca e, sim, sente-se a nota da farinha de castanha, quase achocolatada. Nariz e boca estão juntos nessa. Final tostado completa o leque complexo.

Boa cerveja, vale a experiência.

Nota: 7-8

 

 

 

 

 

 

COLOMBA

5%, garrafa de 330ml de casco escuro.

Bière blanche de Corse aux aromes de maquis.

Cor amarela muito clara, turva – trouble naturel, adoro – de leveduras e depósitos. Mas esses levedos não estão no nariz, que traz algum frescor cítrico, imagino que pelo llúpulo e por parte do malte ser de trigo.

Na boca, um corpo que a clareza não vende, untuoso como uma calda. O amargor é mínimo e, apesar da estrutura, é refrescante. Chutando, acompanharia um queijo amarelo ou um risoto leve. Não conheço o aroma de maquis com que é aromatizado, mas sente-se uma levíssima condimentação e um toque herbáceo no fundo da boca.

Cerveja interessante, vale a experiência

Nota: 7-7

 

 


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